Nos cantinhos de leitura escolares há indícios tímidos desta vocação experimental do livro infantIil e juvenil. Nas Brinquedotecas do País, ainda escassas, e nas Bibliotecas Escolares, públicas e privadas, começa lentamente a ganhar adesão tanto a classificação “livros-interativos”, que inclui alguns livros-brinquedo premiados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), quanto os livros selecionados para a Educação Infantil, pelo Programa Nacional Bibliotecada Escola (PNBE) e PNLD.
Nas escola, os professores seguem orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas... e em casa, como os pais podem motivar leituras gratificantes, prazerosas, adequadas à faixa etária, cognitiva e imaginativamente ricas para seus filhos?
O livro é um bem cultural e negar um brinquedo para uma criança nunca foi tarefa fácil. Na rotina de percepção visual, ação e descoberta do ao redor, as crianças estão, progressivamente, diante de uma nova tendência que atravessa o mercado editorial: isso na prateleira da livraria é um livro ou um brinquedo? É literatura ou entretenimento? Será que é ambos?
Veja bem, isso pode se dar na porta de algumas escolas (vendedores ambulantes de livros infantis), nas gôndolas das livrarias, nas bibliotecas escolares ou bebetecas e em stands de bienais do livro: um segmento de livro infantojuvenil rouba a cena com edições chamativas, por vezes em terceira dimensão/pop up, performáticas, atrativas em formato e cores, apelo de brinquedo (montar, criar, teatralizar etc.), acabamentos gráficos táteis, produções variadas em animação, ora sonoras, ora (des)montáveis, ora fragrantes... e, quase sempre, estrategicamente interativas.
Desde 2004, a Associação de Profissionais de Educação de Infância, contando com a colaboração dos municípios portugueses, criou o projeto “O meu brinquedo é um livro”. A intenção era a de que cada bebê nascido em Portugal recebesse um kit convidativo e lúdico, contendo um livro infantil, um travesseiro ilustrado e um guia "Por que ler ao meu bebê?" A intenção era estimular a leitura desde a primeira infância. A saber, a edição deste guia vem com pontuais conselhos, em tópicos, para desenvolver o gosto dos pequenos pela leitura. Dentre as questões levantadas os pais podem refletir: “Quando começar a ler para os bebês?"; "O que as pequeninos mais gostam de ver, descobrir e manusear até 5 anos?"; "O que são livros brincantes?"; “Este livro, este guia e este brinquedo: como podem me ser úteis?”. Para saber mais: <https://www.ocontadordehistorias.com/brinquedo.html>.
Mas, e se acontecer de para o bebê o livro se parecer com o brinquedo e o brinquedo se assemelhar ao livro? Esta afinidade é preocupante?
– Os bebês podem aprender a ler?
– Nunca se viu nenhum bebê a ler. [Pelo menos não como nós, adultos.]
– O mais importante é que pelo projeto "Meu brinquedo é um livro" este conjunto possa contribuir para o gosto da leitura e apreço pelos livros.
– Então, se os bebês não podem aprender a ler, por que razão devemos dar e ler livros aos bebês?
– Porque ler não é fácil, e para se aprender uma tarefa complexa é preciso ter vontade de aprender e praticar muito; conviver com quem lê e entoa as histórias também é maravilhoso e prazeroso para a criança.
– Devemos dar livros aos bebês que instiguem sua curiosidade, o manejo e o desejo de saber o que dizem os livros (APEI: 2004).
Por que ler ao meu bebê? Guia da Associação de Profi ssionais de Educação de Infância (APEI). Portugal: Edições Gailivro,2004. Acesso em: 3/8/2011: <http://omb.no.sapo.pt/documentos/guia-texto.pdf>.